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Cartilha sobre os mitos e verdades da cana-de-açúcar
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A expansão do setor sucroalcooleiro nos últimos anos suscitou um polêmico debate nacional e mundial sobre a possibilidade do surgimento de uma monocultura da cana-de-açúcar, ocupação da área de alimentos e outros impactos ambientais, que carecem de uma discussão mais amadurecida e menos ideológica. Esta Cartilha contribui com informações importantes sobre o assunto, a fim de gerar maior conhecimento e um debate mais fundamentado.

Mito – A cana-de-açúcar vai se tornar uma monocultura e impactar cursos de água, solo e o meio ambiente em geral.

Verdade – O Brasil possui hoje cerca de 6,5 milhões de hectares ocupados com cana-de-açúcar, 50% para etanol e 50% para açúcar. A cana para etanol ocupa ínfimo 0,5% da área total e menos de 1% da área agricultável do país, sete vezes menos que a soja e 65 vezes menos que as pastagens. É uma cultura praticamente não irrigada a não ser em pequenas áreas, uma vantagem enorme em relação a outras regiões do mundo. A Embrapa classifica a cultura no Nível 1, ou seja, nenhum impacto na qualidade de água. Ela tem se expandido em solos mais pobres e as perdas por erosão são menores que a maioria das culturas.

Mito – A cana de açúcar irá se expandir trazendo dificuldades para a produção de alimentos.

Verdade – Com 850 milhões de hectares, o Brasil tem todas as condições de sustentar economicamente a produção agrícola, mantendo ainda grandes áreas de florestas com diferentes biomas. As áreas de cultivo totalizam hoje 60 milhões hectares (apenas 7% do território, sendo cerca de 21 milhões de ha com soja e 12 milhões de ha com milho); as áreas de pastagens correspondem a cerca de 227 milhões de ha, incluindo uma parcela com certo nível de degradação; e as áreas de florestas (incluindo a produção comercial de madeira) totalizam 464 milhões de hectares, portanto, não existe conflito entre uso da terra para alimentos e energia. Uma estimativa da Embrapa indica que existem ainda aproximadamente 100 milhões de hectares aptos à expansão da agricultura de espécies de ciclo anual e, adicionalmente, estima-se uma liberação potencial de área equivalente a 20 milhões de hectares provenientes da elevação do nível  tecnológico na pecuária..

Mito – A expansão da cana pode ameaçar áreas de biomas importantes.

Verdade – A expansão da cana-de-açúcar nos últimos 25 anos deu-se essencialmente no Centro-Sul do Brasil, em áreas muito distantes dos biomas atuais da Floresta Amazônica, Mata Atlântica e Pantanal. Em 1992 e 2003, no Centro-Sul, a expansão deu-se quase totalmente (94%) nas unidades existentes; novas fronteiras foram muito pouco envolvidas. Atualmente e nos próximos anos, o crescimento deverá ocorrer ainda no Centro-sul, com ênfase no oeste de São Paulo, nas regiões limítrofes com Mato Grosso, em algumas áreas no Estado de Goiás e em áreas de pastagens degradadas ou campos, como no Triângulo Mineiro.

Mito – A queima da cana-de-açúcar é um grave poluente ao meio ambiente.

Verdade – A queima da palha da cana tem por objetivo principal facilitar o trabalho do corte manual, tornando-o mais seguro para o trabalhador que não fica exposto aos animais peçonhentos. Trata-se do uso do fogo, de forma controlada, para a queima da palha (folhas e pontas). Um estudo que vem sendo realizado pela Embrapa destaca que a cana-de-açúcar, com sua área total no país em torno de 6,5 milhões de hectares, é a cultura que mais contribui para a retirada de carbono da atmosfera em mais de 50 toneladas por hectare, enquanto culturas anuais e pastagens mobilizam menos de cinco toneladas de carbono/ha.

Mito – A cana-de-açúcar gera impactos na perda de solos agrícolas (erosão, qualidade) no Centro-sul do Brasil.

Verdade – A cultura da cana-de-açúcar tem se expandido em áreas mais pobres, principalmente, “cerrados fortemente antropizados”, na sua maioria pastagens extensivas. Ela contribui para a recuperação desses solos, com adição de matéria orgânica e fertilização químico-orgânica. Utiliza menos defensivos e fertilizantes, além de contar com reciclagem dos subprodutos como a vinhaça e torta de filtro.

Mito – Há no setor de açúcar e álcool condições impróprias de trabalho.

Verdade – Não há condições impróprias de trabalho no setor de açúcar e álcool dentro dos conceitos da OIT e da própria legislação trabalhista, uma vez que não existe cerceamento de liberdade e há um histórico de cumprimento rigoroso da Lei. O trabalho que envolve maior polêmica é o corte de cana, porém, o Decreto Federal 2.661 de 1998 exige a eliminação da queima da cana até 2018, com a introdução da mecanizaç&a

 

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